De frente com a OTAN

Nessa reta final não tem nada melhor que conhecer melhor todos os membros da equipe e começar a interagir com todo mundo. Pensando nisso a OTAN vai fazer agora a apresentação dos nossos queridos voluntários, mas não é do jeito que você tá acostumado a ver. A OTAN resolveu aderir à nova onda do Primal Times e fazer a apresentação dos voluntários em um Podcast!! (E pode, cast?! Pode sim, claro!)

Fizemos então o programa De frente com a OTAN! Um programa de entrevistas em que cada diretor assistente entrevista um dos voluntários do nosso querido comitê. Ao final de cada episódio tem uma lindíssima recomendação musical que tá lá na nossa playlist maravilhosa (vale a pena conferir). Para ouvir é só clicar no link do soundcloud aí embaixo e se divertir!

Link para os podcasts: https://soundcloud.com/israel-coelho-244212142/sets/de-frente-com-a-otan

Link para nossa playlist: https://open.spotify.com/user/israelcq99/playlist/2oQF2be4Iq4sFjksKOpdVz?si=2fK8t1SSSHqsVMmxIaza6w

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Peacebuilding: a importância para a estabilização de paz

Hobbes descreve o homem no estado de natureza como sendo egoísta, busca sua autopreservação e defende os seus interesses. Tal busca pela sobrevivência criaria um estado de guerra de todos contra todos, nesse cenário a criação do contrato social se torna necessária, que estabeleceria um estado de paz relativo entre os indivíduos. Dessa forma, podemos contextualizar a ideia do conflito por meio de ideias antagônicas que surgem, seja entre indivíduos ou grupos, que acabam por criar um ambiente de tensão, dificultando os processos decisórios sobre determinadas situações, ressaltando também a anarquia do Sistema Internacional como fator influenciador desse estado de guerra. Dessa forma, tendo o conflito como natural dentro da sociedade, o seu desenvolver pode levar a violência ou a uma mudança positiva dentro da sociedade.

O período pós-Guerra Fria, o qual emergiram inúmeros conflitos nos Balcãs, no Oeste e Centro da África, no Oriente Médio, na América Latina e no sudeste da Ásia, o Peacebuilding foi fundamental para combater esse estado de guerra. Assim, a primeira operação de Peacebuilding realizou-se, no contexto da guerra árabe-israelense na Palestina (1947-1948).

Mas o que seria, de fato, a política de Peacebuilding

O peacebiulding tem como objetivo construir uma paz duradoura em determinada sociedade. A Comissão de Consolidação da Paz é um órgão intergovernamental que apoia os esforços para manter e garantir a paz em países afetados por conflitos. O conselho é comporto por 31 Estados membros, que são leitos pela Assembleia Geral (AGNU), pelo Conselho de Segurança (CS) e pelo Conselho Econômico Social (ECOSOC). A política de Peacebuilding é um processo de fortalecimento de capacidade de uma sociedade de lidar com os conflitos de uma maneira não violenta.

A construção da paz visa aumentar a confiança entre os indivíduos de uma sociedade e visa também restaurar a legitimidade das instituições estatais. Essa consolidação significa reunir os atores envolvidos no conflito e, as pessoas afetadas por conflitos precisam agir em conjunto para compreender suas diferentes perspectivas e traçar prioridades, com o objetivo de promover um consenso entre as partes envolvidas. Em 2007, o Comitê de Políticas do Secretário-Geral descreveu a construção da paz como: “Uma série de medidas destinadas a reduzir o risco de cair ou recair em conflito, fortalecendo as capacidades nacionais em todos os níveis para a gestão de conflitos, e estabelecer as bases para a paz e o desenvolvimento sustentáveis.

As estratégias de construção da paz devem ser coerentes e adaptadas às necessidades específicas do país em questão, com base na apropriação nacional, e devem incluir um conjunto de atividades cuidadosamente priorizado, sequenciado e relativamente restrito, visando alcançar os objetivos acima.” A partir disso, identificam-se três princípios básicos que constituem as operações de paz da ONU como uma ferramenta para manter a paz e a segurança no âmbito internacional e esses três princípios estão inter-relacionados e se reforçam mutuamente: 

1. Consentimento das partes: implica no consentimento das principais partes do conflito em relação às operações. Sua aceitação proporciona a ONU a liberdade de exercer as medidas necessárias para a manutenção da paz.

2. Imparcialidade: o fato de os principais partidos terem dado o seu consentimento para a implementação de uma operação de manutenção da paz das Nações Unidas não implica e nem garante que haverá também consentimento a nível local.  Dessa forma que elas, necessariamente,  entraram em um acordo com o objetivo de garantir e, nota-se que mesmo quando há um consentimento entre as partes, não significa que os atores então, de fato, firmando um acordo que visa promover e garantir a paz.

 3. Não utilização da força, excepto em legítima defesa e defesa do mandato: as operações de manutenção da paz da ONU não são uma ferramenta de imposição. Entretanto, eles podem usar a força no nível tático, com a autorização do Conselho de Segurança, se agindo em legítima defesa e defesa do mandato. A política de Peacebuilding é um processo de fortalecimento de capacidade de uma sociedade de lidar com os conflitos de uma maneira não violenta. Dessa forma, construção da paz visa aumentar a confiança entre os indivíduos de uma sociedade e visa também restaurar a legitimidade das instituições estatais.

Peacebuilding e sua consolidação

O cenário internacional já passou por inúmeras guerras, todas com um intuito de mudança, sejam elas econômicas, sociais, religiosas ou territoriais. Assim, torna-se claro que a garantia e manutenção da paz são problemas da Agenda Internacional. Durante a guerra fria, o concito construção da paz tornaram-se fundamentais para a gestão de conflitos. No entanto, construir uma paz duradoura em áreas de conflito pode ser desafiador e requer organizações supranacionais como a ONU, a UE e várias organizações não-governamentais internacionais para trabalhar em prol da construção e estabelecimento da paz. Atualmente, o peacebuilding tem contado ainda com a participação de atores que estão envolvidos ou não no conflito para a reconstrução de um país. Ao dar um maior acesso para a participação de outros atores, com as mulheres, jovens, grupos marginalizados, a sociedade civil e ao setor privado, as prioridades da resolução do conflito passam a contar com a integração de diferentes opiniões e visões para as tomadas de decisões em torno da consolidação da paz.

Sua importância no cenário atual

Após 1960 o conceito de paz foi redefinido para uma resposta não apenas a violência, mas também a estruturação da sociedade que a impede de evoluir economicamente, socialmente e politicamente. Após a Guerra Fria, as Nações Unidas iniciaram projetos que promovessem a paz internacional, a partir da reformulação do conceito de segurança.

O peacebuliding começou a ser desmembrado para outros novos instrumentos balizadores, que auxiliariam na propagação da paz internacional, como a diplomacia preventiva (peacemaking), a imposição da paz (Peace enforcement) e a construção da paz pós conflito (post-conflit peacebuilding). Tais instrumentos ajudariam na contenção de conflitos, como forma de erradicar a desordem violenta que se instala em áreas conflitantes, e também, promoveriam um desenvolvimento econômico, social e ambiental de áreas afetadas constantemente. Mas, o peacebuilding não pode se centralizar apenas nessas áreas que se desenvolvem, visto que, é um conceito volátil, muda constantemente com o cenário que se envolve.

A guerra avança de acordo com o avanço das questões socias, econômicas e políticas, que afeta diariamente sociedades inteiras, necessitando sempre de reformulações ao estabelecer a paz internacional.  Como cita John W. Holmes, “a construção da paz é projetada para criar confiança entre as partes, facilitar a reforma institucional, desmobilizar exércitos e auxiliar a reforma e integração das forças policiais e judiciárias”. A pacificação é de difícil consolidação, pois tem que haver a legitimidade em um só dos interesses conflitantes, o que torna as missões de paz se prorrogarem por muito mais tempo que são planejadas, as missões de paz certificariam o desejo de partes opostas de viverem em ordem, e consolidando o consenso que se estabeleceria.

A ONU caracteriza a consolidação da paz em três pilares, que seriam de extrema importância para a estabilização de paz, são eles: consolidar segurança interna e externa; fortalecer as instituições políticas, aumentando a eficácia e participação; promover a reconstrução econômica e social.  Apesar de ainda houver conflitos no cenário internacional, as Nações Unidas obtêm sucesso em suas missões de paz, a partir dos pilares do peacebuilding, que se caracterizam com a igualdade dos direitos humanos contidos na Carta da ONU. Eles visam promover a ordem, e a legitimidade da democracia em Estados que não há uma consolidação da mesma, através de reformas políticas e socias.

Referencias

https://www.un.org/peacebuilding/commission

https://www.peaceinsight.org/blog/2014/04/peacemaking-peacekeeping-peacebuilding-peace-enforcement-21st-century/

http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v24n60/0104-4478-rsocp-24-60-0137.pdf

https://www.thefreelibrary.com/The+John+W.+Holmes+lecture%3A+Building+Peace.-a0160193251

 (Organização das Nações Unidas 2014a).

Da estratégia à prática: o poder frente às relações entre os Estados

De acordo com Raymond Aron, poder é caracterizado pela capacidade que uma unidade política tem de impor sua vontade às outras unidades. Em suma, o poder político é uma relação entre os homens. A característica do poder é a potência que é caracterizada pelos meios os quais é esperado o exercício do poder, ou seja, quando se mede o poder na prática é exercida a mensuração da potência. De modo que se o poder é empregado com o objetivo de exercer coerção, recursos militares podem ser uma das variáveis pertinentes para medir o poder, afetando as percepções dos atores no sistema internacional. Para isso, num mundo cercado por conflitos hostis, a temática da estratégia é pertinente para o entendimento das relações entre os Estados e as relações de poder. De modo que a estratégia é verdadeiramente um dado com o qual os Estados soberanos têm de contar.

A palavra estratégia vem de origem grega o termo “estrategos” – general. Significando até aproximadamente o século XVIII a “arte do general”. O termo general (geral) tem por intuito ilustrar o fato de que em algum ponto da história militar o comandante de uma determinada tropa passou a se afastar da linha de frente para poder ter uma visão de conjunto das batalhas, em vez de se envolver diretamente na ação e ter sua visão reduzida ao pequeno campo de batalha. Sendo essa tática a “arte de conduzir o combate” e, além disso, a grande tática que é a “arte de preparar e conduzir os exércitos para a batalha”.

            Entendemos a estratégia como a arte de coordenar a ação das forças militares, políticas, econômicas e morais implicadas na condução de um conflito ou na preparação da defesa de uma nação ou várias nações atuando em conjunto. Desse modo, no âmbito militar observamos que a estratégia trata das operações e movimentos que um exército terá que fazer até chegar a condições vantajosas à presença do oponente.

            É necessário ter em mente que para um maior aproveitamento das estratégias militares devam sempre considerar os seguintes fatores:

  • O local onde a batalha será travada: a seleção dos melhores locais para que os objetivos sejam atingidos com sucesso – seja esses locais por meio marítimos, terrestres ou aéreos.
  • O Princípio da concentração das forças: a organização dos recursos e a logística no campo de batalha.
  • O Princípio do ataque: caracterizamos esse fator como a implementação das ações que tendem a ser competitivas.
  • Princípio das forças diretas e indiretas.

Desse modo, o sucesso é o elemento fundamental da estratégia, a métrica da estratégia e a harmonia entre os fatores citados acimas que são definidos como uma boa estratégia. No entanto é necessário ter em mente que o sucesso torna sempre em desuso o próprio comportamento que o permitiu alcançar. O sucesso de uma estratégia gera sempre novas realidades. Como pensar, a estratégia é a luta para superar as limitações de recursos por meio de uma busca criativa e infindável da melhor alavancagem dos recursos. Existindo um plano de ação apropriado para as decisões sobre ações interativas, onde os oponentes dessas decisões possuem reações previsíveis.

A direção estratégica está relacionada com os objetivos que o agente deseja atingir num determinado espaço de tempo. Devendo sempre levar em conta a visão, a missão e o objetivo, onde qualquer direção estratégica começa com a definição de qual o caminho a seguir.

Muitas pessoas consideradas como estrategistas militares tentaram resumir uma estratégia de sucesso em um conjunto de princípios. O autor da obra “A arte da guerra”, Sun Tzu, definiu 13 princípios para a obtenção do sucesso no que diz respeito às estratégias militares. Os conceitos fundamentais são:

  • O objetivo: que diz respeito a aquilo que se pretende alcançar quando se realiza uma ação ou determinado propósito.
  • Ofensiva: que se caracteriza pela ação ou sucessão de atos ou operações visando ao ataque.
  • Cooperação: atuar, juntamente com outros, para um mesmo fim; contribuir com esforços, auxílio.
  • Concentração (massa): para que seja possível alcançar um fim pré-estabelecido.
  • Economia: as regras usadas para a administração.
  • Manobras: as diversas operações manuais.
  • Surpresa: sendo essa um fato inesperado, repentino, não anunciado previamente; imprevisto.
  • Segurança: estado, qualidade ou condição de quem ou do que está livre de perigos, incertezas, assegurado de danos e riscos eventuais; situação em que nada há a temer.
  • Simplicidade: ausência de complicações.

Seguir os princípios fundamentais tendem a garantir boas estrategistas cia aos garantindo grande vitória, contudo deve-se atentar que a guerra é um evento imprevisível e os princípios sejam flexíveis no que tange a formulação de uma estratégia. Os princípios básicos da estratégia independem das armas e tecnologias utilizadas, pode-se observar que os mesmos permanecem relativamente inalterados através das eras.

O princípio da concentração / massa: dado que todas as coisas começam iguais, enviar uma única unidade tática aliada para combater uma única unidade tática inimiga resultará em uma chance de 50% de derrota. Contudo, enviar duas ou mais unidades para combater uma única unidade inimiga irá resultar em uma razão de perda menor que 1 para 1.

Portando, os recursos táticos a serem seguidos para uma estratégia deve-se sempre atentar e se preocupar em selecionar objetivos decisivos; tomar a iniciativa de seu inimigo; concentrar as forças em um ponto decisivo; economizar os recursos pela redução dos gastos; coordenar o movimento dos recursos para alcançar o objetivo; manter a cadeia de comando; coordenar as tarefas para alcançar a máxima eficiência; manter segredo até que seja tarde para o oponente reagir; empregar elementos inesperados tais como burla, velocidade, criatividade e audácia; manter os planos tão simples quanto possível para completar a tarefa; escolher estratégias flexíveis para poder se adaptar as mudanças de condições; organizar para maximizar a eficiência; manter a moral alta mesmo em face dos revezes; e, por fim, saber a hora certa de atacar.

REFERÊNCIAS

ARON, Raymond. Paz e Guerra entre as Nações. Editora Universidade de Brasília: Brasília. 2002.

BETLHEM, Agrícola. Os conceitos de política e estratégia. 1981. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-75901981000100001&script=sci_arttext>.

FERNANDES, Antônio Horta. A estratégia e as Relações Internacionais. Disponível em: <https://core.ac.uk/download/pdf/62685392.pdf>.

Vasconcellos, Jorge e Júlio Stumpf – Princípios de Defesa Militar – Editora Biblioteca do Exército e Marinha do Brasil

TZU, Sun. A arte da guerra. L&PM Pocket. Porto Alegre: 2000. Disponível em: < http://unes.br/Biblioteca/Arquivos/A_Arte_da_Guerra_L&PM.pdf&gt;.

Segurança Alimentar: a precariedade Líbia em meio à fome

O conceito de segurança alimentar surgiu em meados da década de 70, onde o principal foco estava nos problemas de fornecimento de alimentos, de garantir a disponibilidade, e até mesmo a estabilidade do preço dos alimentos básicos em níveis internacionais e nacionais. Com essa imensa preocupação, seguiu-se um processo de caracterização de segurança alimentar na Cúpula Mundial da Alimentação de 1974 como: “Disponibilidade em todos os momentos de fornecimento mundial adequado de alimentos básicos para sustentar uma expansão constante do consumo de alimentos e compensar as flutuações na produção e nos preços”. Em 1983, a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura) expandiu o seu conceito, incluindo a garantia que todas as pessoas tenham acesso físico e econômico aos alimentos básicos que precisam. Posteriormente, em 1996, a Cúpula Mundial da Alimentação adota um significado mais complexo “A segurança alimentar, nas individuais, domésticos, os níveis nacionais, regionais e globais [é conseguido] quando todas as pessoas, em todos os momentos, têm acesso físico e económico a alimentos suficientes, seguros e nutritivos alimentos para satisfazer as suas necessidades dietéticas e preferências alimentares para uma vida ativa e saudável”.

Uma das piores situações enfrentadas pela Líbia em seus momentos de guerra, tanto pré-guerra quanto pós-guerra, é a fome, por conta dessa situação parte da população partiu em retirada aos países vizinhos. O país apresentava problemas desde a crise mundial alimentar de 2008, sendo que nessa época a sua taxa de inflação subiu 10,4%, por conta destes distúrbios. O World Food Program (em português, Programa Alimentar Mundial), previa como resultado da turbulência política na região, que 2,7 milhões de pessoas estariam precisando de ajuda alimentar e solicitou 43,2 milhões para financiar uma ação emergencial. A região na Líbia que mais foi afetada em termos de produção alimentícia foi de Benghazi, por ser a principal área agrícola no país, esse espaço se tornou em local de conflito, disputado entre as forças do governo de Muammar Khadafi e os opositores.Fome Líbia 2.jpg

A crise no país norte africano pode causar interrupções no comércio e na locomoção da população, prejudicando a produção doméstica do país, de acordo com a FAO. Além disso, a organização argumenta que, novas altas de preço no mercado internacional teriam um impacto devastador na capacidade das pessoas vulneráveis de cobrir suas necessidades básicas, para ela há uma preocupação evidente do caos alimentar estender-se para os países vizinhos, a FAO, por conta deste medo monitorou a situação líbia a partir de seus escritórios no Egito e na Tunísia. Ademais, com a desordem, a produção agrícola na região ficou devasta por falta de sementes e fertilizantes, impulsionando ainda mais no agravamento da insegurança alimentar. Para tentar amenizar a situação, a organização de alimentos trabalhou ajudando famílias agrícolas ainda resistentes a produzir alimentos frescos e salvaguardar seus ativos remanescentes.

A situação Alimentar pós-guerra

Subestimados pelos países do ocidente, o conflito na Líbia, acendeu grandes conturbações nos países próximos. “As potências ocidentais subestimaram o fato de que a derrubada de Khadafi teria sérias repercussões na região do Sahel”, apontou Abdul Aziz Kebe, especialista em relações árabe-africanas na Universidade do Dacar, no Senegal. Sahel é uma região ao sul do Saara que vai de leste a oeste do continente africano englobando países como, Mali, Níger, Senegal, Mauritânia, Burkina Fasso, Argélia, Nigéria, Chade, Camarões, Sudão e Eritreia. Essa faixa territorial viveu uma grande temporada de seca, pós-guerra e pós-primavera árabe. E com os alvoroços no mercado internacional todos estes países sofreram com crises de fome. Em Mali, Nigéria e Níger a situação era ainda mais prejudicial por causa das ações rebeldes viventes dentro de seus territórios, por conta disto o Programa Mundial de Alimentos perdeu estoques de comida em seus depósitos e teve de suspender suas operações nestes locais.

A economia da Líbia vai se recuperando aos poucos, assim como a produção doméstica dos alimentos. Em 2012, a produção doméstica subiu significativamente em relação a 2011, o conflito interrompeu severamente o consumo de combustíveis, insumos agrícolas, causando escassez de alimento e demora na reconstrução da produção doméstica dos alimentos.

A Líbia importa 75% a 90% de suas necessidades de alimentos, como cereais; o que torna a população pobre particularmente vulnerável a mudança do mercado, porém, produz uma grande quantidade de carnes, peixes, lacticínios, frutas e vegetais. Durante a revolta, muitas fábricas de fertilizantes foram fechadas causando muitos desempregos e prejudicando famílias necessitadas destes materiais. Com a produção perdida e os salários combinados com os altos preços dos alimentos, as dificuldades para as famílias só aumentaram. Para resolver a situação a FAO interviu primeiramente na costa leste da Líbia, fornecendo aos agricultores sementes de hortaliça, fertilizantes e cursos sobre práticas agronômicas e de irrigação, na tentativa de distribuir alimentos frescos e nutritivos pelo país; futuramente fazendo nas demais regiões do país. Contudo, o país mesmo com toda ajuda das organizações internacionais, tomou a iniciativa de negociar com a Ucrânia 100 mil hectares de terra em troca do acesso aos seus campos de petróleo.

Além de ter tido problemas políticos que prejudicaram na produção de alimentos, o país, junto com a Argélia, Mauritânia e Marrocos possuíam mais um empecilho, as infestações por pragas, como os enxames de gafes do deserto do Sahel. Após chuvas de verão que proporcionaram condições favoráveis para o aumento de 250 vezes da população de gafanhotos a FAO alertou vigorosamente a ameaça dessas infestações. De acordo com, Keith Cressman, diretor sênior de previsão de locustídeo da FAO, “Uma vez que essas pragas invadem esses territórios poderiam danificar pastos e cultivos de subsistência de sequeiro”, ou seja, a presença destas culmina na precarização da já irregular situação desses países africanos. Para solucionar esse problema, a organização alimentar coordenou o transporte de pesticidas para os países afetados.

fasfA crise alimentar da Líbia ressaltou a importância de ter um sistema de monitoramento e segurança alimentar em vigor. Esse sistema possibilita que as principais partes interessadas identifiquem deficiências na produção local de alimentos, lacunas no fornecimento e distribuição de alimentos comerciais.  Assim, assegurando alimentos básicos, meios de produção a todos e chegando mais próximo da meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável: Fome Zero e Agricultura Sustentável.

Referências Bibliográficas

https://exame.abril.com.br/mundo/fao-alerta-para-impacto-da-crise-libia-na-alimentacao/

http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI217480-18078,00-FAO+ALERTA+PARA+RISCO+DE+CRISE+NA+LIBIA+TER+IMPACTO+SOBRE+ALIMENTACAO.html

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2012/04/120404_fome_sahel_2_pai

http://www.fao.org/docrep/005/y4671e/y4671e06.htm#fn30

http://www.fao.org/emergencies/appeals/detail/en/c/168151/

http://www.fao.org/emergencies/countries/detail/en/c/161512

http://www.fao.org/emergencies/fao-in-action/stories/stories-detail/en/c/163036/

https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/crise-na-libia-ameaca-seguranca-alimentar-diz-fao-dyrfi70poexq0jhxohe4phm4u/

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/escassez_de_alimentos_e_ameacas_a_civilizacao.html

Refugiados: o legado da Primavera Árabe

De acordo com a Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), de 1951, consideramos como refugiados aqueles que ao “temerem ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode, ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país, ou que, se não tem nacionalidade e se encontra fora do país do qual tinha sua residência habitual em consequência de tais acontecimentos, não pode ou, devido ao referido temor, não quer voltar a ele”.

Perante cenário de horror, a população não se vê com outra opção a não ser sair de seu país natal, deixando pra trás valores sentimentais e materiais. Ao mesmo tempo, a trajetória para o destino final também não os facilita a vida e retira, automaticamente, o sentimento de segurança e calma. É, durantes tais travessias, que o perigo se instala. Muitas famílias, sem condição e/ou informação para migrarem, ficam sob o controle de traficantes de pessoas, subordinadas à condições desumanas e de completo caos, o que aumenta o índice de mortalidade e intensifica a tragédia.

O problema migratório não afeta somente os países de saída, mas, principalmente, os países de destino. A Europa se encontra imersa nos movimentos migratórios há anos, uma vez que é o principal destino de populações africanas e originárias do Oriente Médio. O ditador Muammar al-Kadhafi, já afirmava que “[…]com a minha derrubada, vai ter uma torrente de imigrantes para a Europa e não vai ter ninguém pra segurar. Estou ajudando vocês (Europa)”. Com o poder de barrar e liberar quantidades significativas de refugiados, Kadhafi foi capaz de controlar as ondas migratórias em direção à Europa. Diante disso, realizou jogadas políticas efetivas ao ponto de firmar um acordo de amizade com o governo italiano, o qual “previa investimentos por parte da Itália na Líbia no valor de 5 mil milhões de euros na compensação pelo que havia sido feito durante o período colonial.” (RODRIGUES, 2016).

A Líbia também se tornou um dos prováveis destinos de imigrantes africanos, que buscam por melhores condições de trabalho. Entretanto, diante do cenário de constate instabilidade e violência, acabam sendo forçados a estenderem seus destinos, migrando para a Europa, efetivamente. (UFJF, 2017).

As consequências pós Primavera Árabe e a o papel da UNSMIL

Como previamente visto neste blog, a Primavera Árabe foi um acontecimento muito importante para o contexto líbio abordado neste comitê. Por desencadear em uma guerra civil, insegurança e instabilidade econômica e política dentro do Estado, muitos líbios decidiram sair do país, com a intenção de voltarem pós conflito. Em busca de refúgio e melhores condições de vida, muitos líbios tentaram se refugiar em terras europeias, principalmente a Itália, por razões como identificação cultural – afinal a Líbia já havia sido sua colônia – além da proximidade geográfica e facilidade de translado.

Após a queda do governo Kadhafi, a situação interna do Estado da Líbia não se estabilizou. O país se encontrava imerso em uma rivalidade política e dominado por diversas milícias, as quais continuam ameaçando a segurança do país. Diante desse cenário de constante caos, os migrantes líbios passaram de imigrantes para refugiados, uma vez que os movimentos de saída em massa não resultaram na volta dessa porção da população civil pós 2012.

Mesmo depois da queda do ditador e saída das tropas da OTAN dentro da Grande República Socialista Popular da Líbia, o Estado ainda se encontra em uma crise humanitária muito difícil. Além das migrações com destino à outros países, muitos grupos migram para outras regiões internas da Líbia, em busca de maior segurança e mais chances de sobrevivência, mesmo que tais movimentos tenham caído gradativamente.

Parte da crise política do Estado da Líbia pode ser também explicada pela Missão de Apoio à Líbia das Nações Unidas (UNSMIL), realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) pós queda do governo Kadhafi. Tendo como uma das suas principais funções o auxílio para a transição da democracia no país a partir da participação do Conselho Nacional de Transição, o qual foi usado de auxílio para a construção de uma nova Constituição para a Líbia, a missão atiçou ainda mais a revolta de milícias, principalmente àquelas seguidoras do ex-ditador, ameaçando ainda mais a segurança e dando início mais um processo violento dentro do território nacional.

O papel italiano na migração

            Como dito, a Itália teve papel fundamental nos movimentos migratórios provindos da Líbia, por ser um dos destinos mais escolhidos por aqueles que buscavam por melhores condições de vida e sobrevivência. Entretanto, o Estado italiano não se destacou apenas por isso, uma vez que foi o país europeu que mais deu suporte aos líbios durante esse processo de transição.

            O Mare Nostrum (tradução literal de nosso mar, em latim) foi criado pelo governo italiano, sendo essa uma operação naval e aérea, a fim de contornar e controlar o movimento de imigração na Europa. Essa operação teve início na costa da Líbia e auxiliou milhares de refugiados vindos da África e do Oriente Médio. O Mare Nostrum que custou, aproximadamente, 9 milhões de euros por mês ao país italiano (RODRIGUES, 2016) foi de enorme sucesso, uma vez que foi capaz de prender um número significativo de traficantes de pessoas, além de garantir a chegada segura de, aproximadamente, 150.000 pessoas em terras italianas.

            Apesar do grande feito pelas pessoas que buscavam refúgio, a União Europeia não via a operação com grandes olhos, já que acreditavam que essa ajuda influenciava no aumento do fluxos migratórios e facilitava a entrada de refugiados dentro dos países europeus. Somado à este fato, o governo italiano começou a se ver com poucos recursos disponíveis para seguir em frente com a missão. Diante disso, a operação Mare Nostrum foi cancelada e substituída pela operação Triton, a qual tinha por objetivo principal o controle do fluxo migratório em direção à Europa. (RODRIGUES, 2016).

REFERÊNCIAS

ACNUR. Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados. 1951. Disponível em: <http://www.acnur.org/fileadmin/Documentos/portugues/BDL/Convencao_relativa_ao_Estatuto_dos_Refugiados.pdf&gt;. Acesso em: 02 set. 2018.

EISINGER, Judith; VILLANOVA, Lilian. Operação Triton: a Europa fecha os olhos para a realidade da imigração. 2015. Disponível em: <https://www.lejournalinternational.fr/Operacao-Triton-a-Europa-fecha-os-olhos-para-a-realidade-da-imigracao_a2379.html&gt;. Acesso em: 02 set. 2018.

Itália anuncia fim da operação “Mare Nostrum”. 2014. Disponível em: <https://www.jn.pt/mundo/interior/italia-anuncia-fim-da-operacao-de-resgate-mare-nostrum-4212889.html&gt;. Acesso em: 02 set. 2018.

ONLINE, Esquerda. A derrota da Primavera Árabe e a crise dos refugiados na Europa. 2017. Disponível em: <https://esquerdaonline.com.br/2017/02/05/a-derrota-da-primavera-arabe-e-a-crise-dos-refugiados-na-europa/&gt;. Acesso em: 02 set. 2018.

RIBEIRO, Assis. A situação dos refugiados na Líbia pós-Kadafi. 2012. Disponível em: <https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-situacao-dos-refugiados-na-libia-pos-kadafi&gt;. Acesso em: 02 set. 2018.

RODRIGUES, Cláudia. A Migração do Norte de África para Europa: Da Líbia rumo à Europa. 2016. Disponível em: <http://www.buala.org/pt/jogos-sem-fronteiras/a-migracao-do-norte-de-africa-para-a-europa-da-libia-rumo-a-europa&gt;. Acesso em: 02 set. 2018.

UFJF. Crise econômica e abusos na Líbia têm forçado refugiados e migrantes a fugir para a Europa. 2017. Disponível em: <http://www.ufjf.br/ladem/2017/07/10/crise-economica-e-abusos-na-libia-tem-forcado-refugiados-e-migrantes-a-fugir-para-a-europa/&gt;. Acesso em: 02 set. 2018.

UNSMIL. UNSMIL. Disponível em: <https://unsmil.unmissions.org/&gt;. Acesso em: 02 set. 2018.

Primavera Árabe

Os eventos a serem tratados no comitê ocorrem em um período peculiar da história da Líbia e de todo Mundo Árabe. Milhões de civis organizaram manifestações contra o governo de seus países em alguns países do Mahgreb, em especial na Tunísia, no Egito e na Líbia. O evento ficou marcado na história sob o nome de Primavera Árabe, em referência à Primavera dos povos, evento semelhante ocorrido na Europa em 1848.

George Joffé (2011) afirma ser impossível afirmar se houve um efeito dominó entre os países que passaram pela Primavera Árabe. Segundo ele, apesar da clara certeza de que líbios acompanharam os acontecimentos na Tunísia e no Egito, por exemplo, não é possível ter certeza de que um movimento revolucionário não tomaria conta do país naquele momento. Uma vez que as tensões entre civis e o governo estavam elevadas em todas as localidades envolvidas.

Motivações da Primavera Árabe

Não é possível apontar para uma única causa as razões que levaram milhões de árabes às ruas contra aqueles que os governavam. É simples demais afirmar que tais pessoas lutavam por democracia em seus países, sendo necessária uma maior exploração da temática para descobrir os vários pontos de tensão entre cidadãos e governantes dos países envolvidos no processo revolucionário. No tópico que se segue tal exploração busca ser feita, apontando com simplicidade as causas da Primavera Árabe

Em primeiro lugar, é necessário ressaltar as condições econômicas dos países envolvidos, que viviam uma alta no preço dos alimentos desde 2010 (JOFFÉ, 2011), que prejudicam principalmente a camada mais pobre da população. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), o preço do açúcar subiu 77%, do milho 75%, do óleo 57% entre outros aumentos que alcançaram os mais altos valores desde 1990. Tais aumentos prejudicaram fortemente os países do Norte da África, e despertou manifestações na Argélia e Marrocos, combatidas com redução dos impostos sobre importações de alimentos e redução dos impostos sobre produtos domésticos.

Nesses países o processo revolucionário não tomou as proporções das manifestações realizadas na Tunísia, Egito ou Líbia, uma vez que a crise era puramente econômica. No caso dos outros três Estados, a crise se prolongou, segundo Joffé, pela já existente contestação à legitimidade dos governos vigentes. Além disso, o autor afirma que movimentos sociais contra o governo já existiam, facilitando a organização das manifestações. Por conta da peculiaridade desses três países, o próximo tópico visa analisar o processo da Primavera Árabe na Tunísia, no Egito e na Líbia.

A Primavera Árabe na Tunísia

A série de manifestações se iniciou na Tunísia, quando Mohamed Bouazizi se suicidou (BBC, 2011). É fundamental ressaltar que a chamada Primavera Árabe não tem base no suicídio do jovem tunisino, mas tal ato serviu como estopim do processo revolucionário. Bouazizi era feirante e convivia com a corrupção de oficiais da polícia que insistiam em cobrar propinas de comerciantes para que exercessem sua profissão.

No dia de seu suicídio, segundo matéria da BBC, o jovem se recusou a pagar propina para três oficiais, que destruíram sua barraca de frutas e levaram seus produtos para a delegacia. Bouazizi foi até a delegacia de sua cidade para recuperar o que lhe haviam tomado, mas a polícia local se recusou a fazê-lo. Insatisfeito com sua situação e com o contexto de seu país, o jovem de 26 anos comprou gasolina e ateou fogo no próprio corpo.

O ato heróico do feirante fez com que milhões de tunisinos se mobilizassem em manifestações contra o então presidente Zine El Abidine Ben Ali, que comandava o país há 23 anos (BBC, 2011). Os protestos denunciavam a ausência de processos democráticos na Tunísia, a alta taxa de desemprego, a violência policial e outros pontos de crítica ao governo vigente, que tomou fortes medidas contrárias às manifestações, prendendo milhares de pessoas e matando centenas de outras (BBC, 2011). A repressão governamental não fez com que os manifestantes acalmassem seus sentimentos, que fez com que o presidente fugisse para a Arábia Saudita, que o aceitou sob a condição de renunciar a suas atividades políticas. Dessa forma, o movimento social tunisino obteve sucesso na tentativa de derrubar o presidente e a Tunísia realizou eleições democráticas e adotou uma nova constituição no mesmo ano.

Primavera Árabe no Egito

Em janeiro de 2011, um mês após o falecimento de Mohamed Bouazizi na Tunísia, o Egito vivenciou o mesmo processo pelo qual passou o país próximo. Insatisfeitos com o governo de Hosni Mubarak, milhões de egípcios se encontraram nas ruas das grandes cidades do país para protestar contra a permanência do presidente no poder, que já durava 29 anos. A reação do governo de Mubarak foi a mesma de Ben Ali, repressão policial, prisões em massa e mortes de manifestantes, o que não veio a calar o grito daqueles que insistiam em protestar.

Segundo o jornal Al Jazeera, os grupos contrários ao governo antes de 2011 somavam cerca de cem pessoas ou menos, o que não era suficiente para derrubar o regime. No entanto, frente a milhões de egípcios insatisfeitos e agindo sob os holofotes da imprensa internacional, Mubarak renunciou em fevereiro de 2011. Um manifestante declarou ao Al Jazeera que a derrubada do presidente foi “um sonho realizado” (AL JAZEERA, 2018), o que descreve um sentimento que tomou conta de muitos egípcios, especialmente aqueles que foram às ruas celebrar a vitória do movimento civil.

No entanto, o povo do Egito não celebrou sua vitória por muito tempo. Mubarak, que havia sido denunciado por mandar matar 846 pessoas durante o movimento revolucionário (BBC, 201?), foi absolvido de seus crimes. Seguido disso, as primeiras eleições democráticas no país foram invalidadas em 2012, quando um golpe de Estado liderado por militares tomou o poder do presidente eleito Mohamed Morsi, impondo restrições a manifestações, prendendo civis sem justificativa prévia  e impedindo que o partido de Morsi continuasse em atividade (AL JAZEERA, 2017).

Primavera Árabe na Líbia

O processo revolucionário na Líbia foi, dentre os descritos, o único que culminou em uma guerra civil. Ao contrário dos demais processos, Kadhafi não foi derrubado por pressão popular, o exército líbio lutou contra os rebeldes civis apoiados pela OTAN. O presidente líbio por 42 anos repudiou a saída do governo de Ben Ali e Mubarak, ocorridas antes do levante líbio, tendo optado por permanecer no poder até o fim da revolução.

Kadhafi permaneceu no poder com mãos de ferro durante todo seu mandato. O assassinato de presos políticos era prática comum no país, sendo o maior exemplo o massacre em uma prisão de Trípoli onde ficavam os presos políticos. Joffé aponta que nesse massacre, ocorrido em 1996, 1300 pessoas foram assassinadas, o que gerou a insatisfação popular que chega às ruas em fevereiro de 2011.

Antigos ressentimentos podem ser apontados como um dos fatores que levou milhões de líbios às ruas e para a luta contra o exército de Kadhafi. Tribos do Leste do país foram marginalizadas pelo presidente desde sua posse em 1969 (JOFFÉ, 2011), tribos antes leais ao regime de Kadhafi atacaram o mesmo em uma tentativa fracassada de golpe de Estado. As ações hostis contra a própria população rendeu ao líder líbio o apelido de “Cachorro louco” por Ronald Reagan, além da antipatia dos cidadãos da Líbia.

Em fevereiro de 2011 iniciam-se as manifestações contra a permanência de Kadhafi no poder. O governo líbio não destoa de seus países vizinhos no que diz respeito à reação a processos revolucionários, atacando os manifestantes de forma violenta, condenando vários deles a prisão e causando a morte de muitos outros. As ações do exército nacional contra a população foram tão fortes que o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) declarou que eram autorizadas “todas as medidas necessárias” para que os civis fossem protegidos (ONU, 2011), o que culminou na intervenção da OTAN no território, que será tema de debate no comitê.

Referências bibliográficas

AL JAZEERA. “Egypt marks seventh anniversary of Arab Spring uprising”. Jan. 2018. Disponível em: <https://www.aljazeera.com/news/2018/01/egypt-marks-seventh-anniversary-arab-spring-uprising-180125072839691.html&gt;. Acesso em: 26 ago. 2018

BBC. “Arab uprising: Contry by country – Egypt”. Disponível em: <https://www.bbc.com/news/world-12482291&gt;. Acesso em: 26 ago. 2018

BBC. “Arab uprising: Contry by country – Libya”. Disponível em: <https://www.bbc.com/news/world-12482311&gt;. Acesso em: 26 ago. 2018

BBC. “Arab uprising: Country by country – Tunisia”. Dez. 2013. Disponível em: <https://www.bbc.com/news/world-12482315&gt;. Acesso em: 26 ago. 2018

JOFFÉ, George. A Primavera Árabe no Norte de África: origens e perspectivas de futuro. jun. 2011. Disponível em: <http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?pid=S1645-91992011000200006&script=sci_arttext&tlng=es&gt;. Acesso em: 26 ago. 2018

UN NEWS. “Security Council authorizes ‘all necessary measures’ to protect civilians in Libya”. Mar. 2011. Disponível em: <https://news.un.org/en/story/2011/03/369382-security-council-authorizes-all-necessary-measures-protect-civilians-libya&gt;. Acesso em: 26 ago. 2018

A História da OTAN e as suas principais datas:

No dia 6 de julho de abril de 1948 se iniciou as negociações preliminares que levaram ao Tratado do Atlântico Norte; iniciadas em Washington, as negociações foram feitas entre o Departamento de Estado e os Embaixadores do Canadá e das Potências membro do Tratado de Bruxelas.

Desde o princípio das negociações, foi acordado que “qualquer tratado de defesa comum, ligando os países de ambos os lados do Atlântico, deveria estar dentro da estrutura da Carta das Nações Unidas” (OTAN, 2001, s/p). Essas conversações terminaram em 9 de setembro de 1948, com um relatório aos governos recomendando entre outras coisas que o tratado proposto deveria: promover a paz e a segurança dos Estados Membros; a determinação expressa das Partes para resistir à agressão; definir a área em que deve ser operativa; basear-se na autoajuda e na ajuda mútua; ser mais que militar: ou seja, promover a estabilidade e o bem-estar dos povos do Atlântico Norte; e, por fim, fornecer máquinas para implementação (OTAN, 2001).

otan_truman_assinando_bbA Organização do Tratado do Atlântico Norte foi criada em abril de 1949, com a junção de 10 países da Europa Ocidental, sendo eles, a Bélgica, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Reino Unido, também pelos Estados Unidos da América e o Canadá. A Organização foi a primeira aliança militar em tempos de paz que os Estados Unidos fizeram parte, fora do hemisfério Ocidental. Os países assinaram o Tratado de Washington que cria a OTAN – a Organização surge por meio de países soberanos que juntos decidem criar um sistema de segurança coletiva entre os membros (Departamento do Estado, 200?). O objetivo principal da Aliança do Atlântico Norte é especificado no Artigo 5, que dita que: “um ataque armado contra um ou mais deles na Europa ou na América do Norte será considerado um ataque contra todos eles” (OTAN, 2001, s/p).

No final do ano de 1950 as Potências membro do Tratado de Bruxelas decidem fundir a Organização Militar da União Ocidental na Organização do Tratado do Atlântico Norte, de modo que a OTAN obtivesse maiores proporções e melhores resultados.

No final do ano de 1952, a Aliança da OTAN definiu seu segundo “Conceito Estratégico”, como posto pela Organização, onde os Estados Unidos tiveram papel de extrema importância e o Tratado do Atlântico Norte estabeleceu um comando militar mais uniforme – liderado pelo general dos Estados Unidos da América Dwight D. Eisenhower. O objetivo central ficou definido como “garantir a defesa da área da Otan e destruir a vontade e a capacidade da União Soviética e seus satélites de fazer a guerra (…)” praticamente declarando-a primeiro, conduzindo ofensivas áreas e operações terrestres e marítimas usando “todos os tipos de armas” (CRIVELENTE, 2014).

1953 é um ponto de virada nas relações entre o Leste e o Oeste. Joseph Stalin, que liderou a União Soviética por quase 30 anos, faleceu, sendo assim sucedido por Nikita Khrushchev, que instiga a relação Leste-Oeste, particularmente com a formulação da política soviética de coexistência pacífica. No ano de 1955 foi-se criado, por países do bloco socialista, o Pacto de Varsóvia que tinha por intuitos e objetivos iguais aos objetivos da OTAN; entretanto, foi-se desfeito no ano de 1991, fortalecendo ainda mais a Organização do Tratado do Atlântico Norte que incorporou novos membros do Leste Europeu, como a Bulgária, Eslováquia, Hungria, Polônia, República Checa, dentre outros países.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte teve uma série de transformações, desse modo, pontua-se as principais datas na história da OTAN:

  • Assinatura do Tratado do Atlântico Norte, no dia 4 de abril de 1949.
  • Em fevereiro de 1952 a Grécia e Turquia entram para a Otan;
  • Em maio de 1955 a Alemanha ocidental adere à aliança da OTAN;
  • Agosto de 1961 foi um período marcante para a OTAN dada a construção do muro de Berlim;
  • No dia 4 de março de 1966 a França deixa de fazer parte da estrutura militar integrada da Otan, contudo, continua como membro político da organização;
  • No dia 1 de agosto de 1975, 35 chefes de Estado firmam o acordo sobre o reconhecimento das fronteiras estabelecidas ao final da Segunda Guerra Mundial;
  • No final do ano de 1979 a OTAN conta com a modernização das forças nucleares a partir da instalação na Europa de foguetes norte-americanos e mísseis de cruzeiro. E, ainda, conta com a abertura de negociações para limitar este tipo de mobilização;
  • Em 1982 a Espanha adere ao Tratado, mas sem integrar a estrutura militar da aliança;
  • No final de 1989 houve a queda do muro de Berlim, sendo outro momento histórico de suma importância para a Organização;
  • Em março de 1991 houve o fim do Pacto de Varsóvia;
  • Em 1991 a OTAN adota um novo conceito estratégico, com unidades mais móveis e ligeiras para enfrentar as possíveis ameaças recorrentes;
  • Em janeiro de 1994 há a criação da Associação para a Paz, que consiste no programa de cooperação militar com os antigos países comunistas.
  • As forças da Otan, em fevereiro de 1994, entram em combate pela primeira vez quando caças norte-americanos abatem quatro aviões sérvios sobre a Bósnia;
  • No fim do ano de 1995 a OTAN conta com a sua primeira operação terrestre dado envio de tropas à Bósnia.
  • Em junho de 1996 há a decisão de criar na Otan uma “identidade europeia de Defesa e Segurança”;
  • 27 de maio de 1997, a Rússia assina um acordo de cooperação com a Organização;
  • No ano de 1997, há a assinatura de um acordo na cúpula de Madri que prevê a ampliação da aliança à Polônia, Hungria e República Tcheca, e países que antes compunha o Pacto de Varsóvia;
  • Em 12 de março de 1999 a Hungria, Polônia e a República Tcheca entram oficialmente para a Organização do Tratado do Atlântico Norte;
  • No dia 24 março a 20 junho de 1999 há a primeira guerra contra um país soberano, a Iugoslávia. E o conflito conta com ataques aéreos em Kosovo sem o mandato da Organização das Nações Unidas;
  • De agosto a setembro de 2001 a Otan lança a operação para capturar as armas da guerrilha albanesa na Macedônia;
  • No dia 27 de setembro de 2001 é dado o início da operação na Macedônia para consolidar a trégua na região;
  • No dia 3 de outubro de 2001 o artigo 5 do Tratado da Otan sobre a reciprocidade mútua do sistema de segurança e a segurança coletiva é ativado pela primeira vez após os atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos da América;
  • E, no dia 28 maio de 2002 há a assinatura da declaração de Roma, que inaugura o novo conselho da Otan-Rússia, com o presidente russo Vladimir Putin e os chefes de Estado dos 19 países-membros da Aliança.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

https://www.nato.int/docu/update/45-49/1949e.htm

https://www.nato.int/archives/1st5years/chapters/1.htm#h

https://history.state.gov/milestones/1945-1952/nato

https://cebrapaz.org.br/2014/09/08/conceitos-estrategicos-da-otan-um-historico-de-militarizacao-e-ameaca/

https://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u41844.shtml

Apresentação dos Voluntários da OTAN (2011-2013)

Caros delegados e delegadas! Com enorme prazer o comitê Organização do Tratado do Atlântico Norte (2011-2013) apresenta os voluntários que compõe a nossa equipe!

WhatsApp Image 2018-09-01 at 11.08.07Meu nome é Laura Luiza de Oliveira, tenho 18 anos e estou cursando o segundo período de Relações Internacionais na PUC MINAS, Praça da Liberdade. Como uma pessoa qualquer, eu adoro me aventurar pelo Netflix assistindo filmes e séries, Vikings e Prison Break são uma das minhas séries preferidas. Além disso, não vivo sem música, sou bem eclética, mas com certeza sou viciada em músicas do estilo hip hop. Também amo fazer compras e sair com meus amigos para me divertir. O ano de 2018 tem sido bastante agitado para mim, vim morar em Belo Horizonte, estou morando sozinha, ingressei na faculdade, fiz novas amizades, conheci lugares novos, enfim estou passando por experiências incríveis e uma delas é poder participar do MINIONU.
Esse ano será a minha primeira participação no MINIONU e tive a honra de ser escolhida para ser voluntária no comitê OTAN (2011-2013). Sempre fui uma grande admiradora do projeto, mas infelizmente nunca tive a oportunidade de participar quando estava no Ensino Médio. É uma grande conquista poder fazer parte do MINIONU agora que estou na graduação, tenho certeza que vou aprender muito com todos e espero poder colaborar da melhor forma para um melhor desenvolvimento do projeto.

WhatsApp Image 2018-09-01 at 11.08.02Olá, senhores(as) delegados(as)!Meu nome é Maria Amanda Barros, tenho 18 anos estou cursando o segundo período de Relações Internacionais.Meu primeiro contato com o MINIONU foi em sua 18° edição, como delegada no comitê da Organização Mundial da Saúde (OMS 2018) e agora, minha segunda experiência será como voluntária da OTAN 2011-2013.É uma honra contribuir com esse projeto incrível,pelo qual me apaixonei e que teve um papel fundamental na escolha de cursar Relações Internacionais, e é por isso que gosto de dizer ser parte da equipe é a realização de um sonho.Assim como eu, espero que o senhores também tenham uma experiência tão marcante e enriquecedora.Dessa forma,espero também que aproveitem cada minuto do MINIONU e que se sintam sempre encorajados a se expressarem.A equipe estará sempre disposta a esclarecer quaisquer dúvidas que por ventura surgirem e faremos o melhor para que esses dias de evento sejam inesquecíveis para todos nós! Abraços e até outubro!

WhatsApp Image 2018-09-01 at 11.08.04Olá meu nome é Vinicius Dias Matos e sou voluntário nesse belíssimo comitê, durante a simulação estarei cursando o segundo período de Relações Internacionais na Puc Minas Coração Eucarístico. É a minha primeira vez participando desse projeto, e também minha primeira vez simulando algo, estou extremamente ansioso para isso, pois desde que entrei no curso eu realmente queria fazer parte desse projeto tão engrandecedor, e espero que todos que irão participar se sintam da mesma forma. Bom, sobre mim agora, eu tenho 18 anos de muito amor e alegria. Amo ficar em casa, ir ao cinema, comer fora, diria que sou bem caseiro, mas de vez em quando a gente dá umas saídas mais hard. Sou apaixonado com teatro e cinema, sinto que meu coração bate bem mais forte quando estou fazendo algo relacionado, tanto que pensei seriamente na escolha de fazer cinema. Amo escutar músicas, Taylor Swift e Selena Gomez dois hinos da música, amo ver séries, impossível escolher uma boa, pois são tantas incríveis. Enfim, acho que deu para saber quem sou eu mais ou menos, estou muito feliz com esse projeto, e espero que me traga uma experiência de vida incrível, e que me faça enxergar o mundo de forma diferente. Obrigado!!

Playlist – OTAN (2011-2013)

“A música é o remédio da alma triste”, a frase do advogado britânico Walter Haddon beira meio século de existência, mas está longe de se tornar obsoleta. A música muitas vezes reflete a realidade do compositor, e tem grande poder de mudança sobre essa realidade através de seus apreciadores, sendo catalisadora da busca por tempos melhores. A música é capaz de unir as pessoas mesmo em meio a tempos difíceis, não faltando exemplos na história, como A Marselhesa, as canções de protesto da ditadura militar no Brasil e também a Guerra Civil na Líbia. Essa última consistiu em uma série de eventos catastróficos onde o povo líbio encontrou na música forças para lutar e sobreviver em meio às adversidades.

A música de protesto na Líbia tornou-se muito famosa nas grandes cidades do país durante o processo de levante contra o governo de Kadhafi. Infelizmente, muitos compositores tinham que se manter no anonimato para escapar da repressão, não deixando muitos registros públicos de suas músicas. É o caso do rapper líbio Ibn Thabit, que apesar de usar diversas redes sociais para divulgar suas composições, esconde-se atrás de um nome fictício por sua própria segurança.

Apesar do relativo sucesso de Ibn Thabit, a música que embalou as maiores manifestações na Líbia foi “Sawfa Nabqa Huna” (Nós Permaneceremos Aqui) e foi composta em 2005 como uma canção de protesto contra Kadhafi. A letra, que fala sobre esperar por momentos melhores, foi cantada por multidões em grandes cidades no ano de 2011. A música foi usada pela população líbia que se recusava a abandonar o país mesmo com todas as dificuldades enfrentadas diariamente, afirmando que permaneceriam em seu território até que viessem dias melhores.

Foi pensando no papel da música como transmissora de mensagens e ideais que a equipe da OTAN (2011-2013) separou uma série de músicas capazes de inspirá-los nas simulações, nos debates e também na vida diária. Tal seleção abordará temas como guerra, paz, ditadura, luta contra o poder e muitos outros pontos importantes para a discussão acerca da intervenção na Líbia pela OTAN e a reconstrução de um Estado em guerra.

Abaixo seguem os links para acesso da playlist no Spotify e também no Youtube:

Spotify: https://open.spotify.com/user/israelcq99/playlist/2oQF2be4Iq4sFjksKOpdVz?si=t8lfijm5Rlip7Olhp4YANA
Youtube: https://www.youtube.com/playlist?list=PLH77gXGp61L8zmWCtZVGwP69TGKIUtXaT&disable_polymer=true